
(lápis, aguarela e tinta-da-china sobre papel, novembro 2008)
2.11.08
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10:16 p.m.
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o silêncio, ainda.
eu, por aqui, sinto-me mais só.
ma-shamba
apenas + 1
olivesaria
um blog chamado blog
tubo de ensaio
paperback cell
tempo contado
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12:11 p.m.
1.11.08

(ecoline sobre papel, 1985)
hesito
aguardo que os dedos se movam pelo gume das palavras
que a escrita não se resguarde nos vazios da casa
a soleira da porta onde se deita o cão
o contraluz do envidraçado na saleta junto à cozinha
a cadeira de convés numa tarde longínqua
o arco do silêncio
um lugar nunca fugaz
nocturno.
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9:23 p.m.
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26.10.08
afinal o ensejo era apenas o do regresso à curva medular do jardim
ao fragmento que o tempo vazara de puerilidade
rever a estratigrafia da memória
a dialéctica entre a Arquitectura e o Lugar
o Pavilhão o Jardim a Casa a Porta
fixar reflexos grafitos o rumor das sombras
a temperatura da aragem.
© pedro morais
pavilhão carlos ramos, faculdade de arquitectura
universidade do porto, 18 outubro 2008
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7:49 p.m.
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23.10.08
HOJE
00000000000000000000000000000000000'000convidado especial: Tiago Guillul
com textos de:
Alexandre Borges
Ana M. P. Antunes
António Ramos Pereira
Beatriz Hierro Lopes
Cláudia Santos Silva
Daniel Abrunheiro
David Teles Pereira
Diogo Vaz Pinto
Fernando Esteves Pinto
Hugo Roque
José Carlos Barros
Maria Sousa
Pedro Jordão
Rui Miguel Ribeiro
Sara F. Costa
Sérgio Lavos
pode ser adquirida aqui
ou nas seguintes livrarias:
Lisboa
Alexandria (Calçada do Combro)
Book House (Saldanha)
Bulhosa (Campo de Ourique)
Bulhosa (Entrecampos)
Ler Devagar (Bairro Alto)
Ler Devagar (Fábrica Braço de Prata)
Letra Livre (Calçada do Combro)
Portugal (Chiado)
Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar)
Sá da Costa (Chiado)
Trama (Rato)
Porto
Maria vai com as outras (Rua do Almada)
Poetria (C. C. Galerias Lumière)
Montemor-o-Novo (centro histórico)
Fonte de Letras
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12:33 p.m.
21.10.08


© maria paes
as raparigas no comboio, quando olho para elas
quando as desenho no caderno onde me deixaram uma sereia.
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9:49 p.m.
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13.10.08
11.10.08
com textos de:
Alexandre Borges
Ana M. P. Antunes
António Ramos Pereira
Beatriz Hierro Lopes
Cláudia Santos Silva
Daniel Abrunheiro
David Teles Pereira
Diogo Vaz Pinto
Fernando Esteves Pinto
Hugo Roque
José Carlos Barros
Maria Sousa
Pedro Jordão
Rui Miguel Ribeiro
Sara F. Costa
Sérgio Lavos
pode ser adquirida aqui
ou nas seguintes livrarias:
Lisboa
Alexandria (Calçada do Combro)
Book House (Saldanha)
Bulhosa (Campo de Ourique)
Ler Devagar (Bairro Alto)
Ler Devagar (Fábrica Braço de Prata)
Letra Livre (Calçada do Combro)
Portugal (Chiado)
Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar)
Sá da Costa (Chiado)
Trama (Rato)
Porto
Maria vai com as outras (Rua do Almada)
Poetria (C. C. Galerias Lumière)
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7:13 p.m.
9.10.08
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10:05 p.m.
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6.10.08
há no encalço da mão que me estendes a aridez da penumbra
uma qualquer porta por abrir
e como sem tempo para reserva ou espera
mais não me resta que devolver-te os meus olhos
como quem não tem outro desafio um velho hábito sabes
há no seu encalço o silêncio o corpo de um deserto.
© filipe paes, esferográica sobre papel, julho 2008
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10:44 p.m.
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30.9.08
já tudo estará escrito sobre a luz no Rio de Ouro
sobre os socalcos as fracturas nas fragas veladas por fina argila
sobre as voltas nas fiadas de vinhedos
sobre o calar do ardor da tarde quando se sobe o rio
onde nos surpreendem barcaças locomotivas cegonhas negras patos e garças
onde crescem vagares afectos risadas
já tudo estará escrito e ainda assim escrevo reescrevo procuro as palavras
ele são moiras alheiras milhos carolos bagos de moscatel medronhos bravos
a quentura do pão que as mãos partem na mesa da velha cozinha
longe das casas que os Benefícios tornaram espúrias
dos caixilhos de PVC dos heliportos dos Audis dos Ferraris
já tudo se terá escrito
e ainda assim procuro as palavras certas para a manhã no planalto
um fragmento solar uma brisa de outono o respigo
de novo as risadas e os afectos que nos dão abrigo.
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11:58 p.m.
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25.9.08
leva-me a terra seca que o vento desarruma no equinócio
sobrevoo os rumores das copas das árvores
em cujo amplexo me dissolvo e anseio
assim me amparo na vara da contracorrente
avanço pelos meandros do rio.
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11:37 p.m.
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21.9.08
18.9.08
intertexto
corre um sopro pelas folhagens
levanta-nos a face a fralda dos casacos os gomos das saias
leva mãos às gravatas despenteia cabelos
estremecem galhardetes salamaleques rododendros por florir
e no Jardim o Arquitecto fala da Arte Pública
a audiência agita-se nas cadeiras
uma lua cansada debruça-se nos gonzos do portão
estende-se a luz negra pelo saibro
de terraço em terraço
até às Gimnospérmicas.
de terraço em terraço
se o Armagedão chegar
poderei contentar-me com o esquecimento
e como a figueira cobrir os arenitos também eles cansados
esperar que o ácido e a luz não corroam papéis impressos
encadernações manuscritos
os bancos de sementes e a valiosa Arte Pública
que não apodreçam nos bunkers nos jardins privativos de betão armado
nos arquivos mortos cercados por terreiros de armas estéreis
onde nem para as sombras se reconhecerá abrigo.
que sabemos nós do Armagedão
perdidos que estamos pela banca pelos seguros
presos por impressões digitais registos dentários
pelas íris de todas as câmaras do nosso conforto e segurança
no leasing do carro nas vernissages na flutuação do preço do barril de Brent
aspirando à sustentabilidade de todos os desejos
à longevidade prometida ao cálice envenenado
à redenção
nas praias de Gaza nas cordilheiras do Cáucaso do Hindukush
nas margens do Tigre e do Eufrates
para lá das lamas do Nilo
que sabemos da peste branca
da fome
dos que se refugiam no deserto
da imunodeficiência adquirida
por tantos outros homens por tantas outras mulheres por tantos outros lugares
que sabemos nós do Armagedão?
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11:42 p.m.
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15.9.08
fazes-me falta sempre que pouso a cadeira de verga sobre a gravilha do vergel
assim como um espaço em branco um vazio
trago um vestido curto de estopa grossa cicatrizes nos joelhos
abraças-me devagar e eu penso
o que vêem os olhos quando não vêem
o que fazem as mãos quando presas pelos pulsos
hesito em designá-las
tu dizes são o delta do Nilo do Benares
o tomento das palavras
fazes-me falta fazes-me falta cantarolo
se passar os dedos no teu cabelo
se os passar muito devagar será que o sabes
será que o adivinhas?

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9:31 p.m.
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7.9.08

na sala de leitura no depósito no papel manuscrito o que leio
no caixilho de betão nas vidraças de vidro martelado
o dia que a clarabóia filtra
um dia que se escreve outro que se desenha
uns outros que são o ocaso e
antes da pressa que nos faz partícula imaginária
dos sulcos onde cresce a giesta
lá onde me avistarás feliz metamórfica
os tornozelos arranhados por ramada de carrasco
os dedos pelos espinhos do silvado
o sangue da cor das bagas
a face manchada de sol
dirás
olha-me como se fosse um só dia uma página um ocaso
antes da pressa do fluxo da luz negra da treva
olha-me como se fosse um só dia
uma fogueira
um ocaso.
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10:38 p.m.
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3.9.08
31.8.08
29.8.08
de repente somes pela frincha do soalho
segues o percurso das centopeias e dos aranhiços as feromonas do formigueiro
deitas-te nesse espaço intermédio
nessa espécie de bacia geográfica do medo do sonho
entre o tecto do mundo e a treva
de repente
dizes há muito que não sabes da inocência de um segredo trocado
eu respondo há muito que cobri os antebraços as costas das mãos
a linha da nuca há muito que dela não sopras a sombra do cabelo
os poros eriçados
há muito que sofro de aspereza
tu sorris porque não recorro ao médico da praça
ao centro de saúde à ginecologista ao estomatologista à psiquiatra
se calhar ao dermatologista ao homeopata à bruxa estás tão pálida dizes
sofres de aspereza de olheiras escuras de celulite
quem sabe a corporación te atribui um crédito por cinco anos
um cardiologista um osteopata uma nutricionista um médico do trabalho
dizes há muito que não me beijas e a tua boca é
digo interrompo
quem sabe eu suma por uma frincha do soalho
e contorne as centopeias os aranhiços as térmitas o caruncho
e seja um pouco como a cera de abelhas
a pele se amacie os dedos toquem a erva que cresce no lameiro
o sol atravesse as poeiras no final da tarde
quem sabe tu ao meu lado
e eu consiga por fim adormecer quem sabe
porque não me beijas
quem sabe.
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11:50 p.m.
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26.8.08
todas as manhãs nos bancos da locomotiva que agosto esvazia
todas as manhãs abandonadas à frequência atonal
ao silvo que estremece os canaviais
levantam-se bandos de rolas cintilam álamos nos barrancos que o rio alaga
todas as manhãs do mundo nessa meia-hora que circunscreve a treva
as poeiras o burgo o asfalto.
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12:23 a.m.
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21.8.08
17.8.08
salvo palavras no écran de luz parda faço os backups do desamparo
no terreiro de pó no final do dia
na linha de ferro estrangulada de um dito inconsciente colectivo
circled by the circus sands
o Dylan em Berlim a película do Wenders
água azul numa tela de Hockney
somos brancos diz a mulher indiferente à borrasca
não seremos o ramo genético que sobreviveu na costa oriental
e subiu as margens do Eufrates
não seremos de Babel nem seremos Persas nem sequer Hindus
somos todos brancos repete quem ainda a escutará
que ninguém o faça aflijo-me grito que lhe sequem a língua e os seios
que as minhas mãos ardam em pragas que não haja abrigo
não sou desse jardim e nenhum réptil me perderá
estou sentada numa cadeira de verga coberta de areia
tenho os pés descalços
visto-me de giz o teu olhar é um quadro negro
um solavanco dizes-me é a ossatura da dor inquieta
também para ela não tenho abrigo murmuro
ainda assim mordes os meus lábios engoles as minhas palavras
como quem procura uma dose letal
sem anteparo não somos desse outro jardim
nenhum anjo nos salvará.
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12:38 a.m.
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15.8.08
12.8.08
10.8.08
intertexto
Lembrem-me as portas e as janelas abertas
os perfumes de que as raparigas guardam os nomes
a linha branca do amanhecer
atravessando os quartos
acordando o sexo os pulsos a voz
o suor nas ruas ninguém tem medo
dos fascistas nunca mais
ninguém tem medo da CIA do Carlucci
do cardeal Cerejeira do cónego Melo do general Spínola
no Rossio no Carmo ninguém tem medo
Quem tem casas vocábulos odes troncos
ramos braços searas está cego pela
trova quente agitando sobreiros e azinheiras
para os quartos as salas as persianas semicerradas
os sociais-fascistas o camarada Vasco
a praça do Giraldo no Toural
para o louva-a-deus no dorso do muro o silêncio
ou um grilo negro nas mãos
não vê quem lá dentro tem medo
quem tem?
obrigada, Luís.
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10:58 a.m.
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6.8.08
4.8.08
lembrem-me os quartos as salas as persianas semicerradas
o perfume dos aloendros dos cravos-da-índia da salva cor de sangue
a linha crepuscular das sombras
arrastadas pelo ar que atravessa os compartimentos
perfuram-me o esterno os brônquios o esófago a voz
o calor lá fora cá dentro quem tem medo
dos comunistas dos fascistas da cólera quem tem medo
da CIA do KGB dos cubanos dos maoístas
do cardeal Cerejeira do cónego Melo do general Spínola do camarada Vasco
na praça do Giraldo no Toural no Rossio no Carmo quem tem medo
quem tem
casas vocábulos odes troncos ramos braços searas
que me lembrem os quartos as salas as persianas semicerradas
a brisa quente agitando sobreiros e azinheiras
as trovas do Zeca do Chico do Aleixo
um louva-a-deus no dorso do muro o silêncio
ou um grilo negro nas mãos
quem tem medo hoje quem tem?
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1:22 p.m.
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Morreu Alexander Soljenitsine.
hoje, as palavras do Luís dizem tudo.
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12:50 p.m.
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28.7.08
22.7.08
21.7.08
finjo que não te ouço
como se a indolência da canícula pudesse desarticular-se
da frescura do tijolo burro das almofadas de linho grosso cheias de palha
dos escaravelhos vermelhos que sacudo da cadeira onde me sento
enquanto sardaniscas percorrem a cal que se esboroa nos muros
lá fora arde o asfalto consomem-se homens bosques mato palavras
não é hora de te falar da mulher que disse
apaziguando os que a escolheram para a desejada liderança
servindo a misogenia da oposição que acorreu a falar da 'senhora'
estou cansada de mulheres como esta estou farta de homens assim
continuo em silêncio não ouço os tiros no bairro da fonte o panfleto da estação
finjo que ensurdeço que não sei de que matéria se faz a cidade
há descontos no hipermercado crédito na loja de electrodomésticos
deputados no parlamento saldos na zara
arrecadas feiras arraiais concertos festivais e tu
falas-me do desassossego como se a grafia das suas artérias pudesse ligar-nos
como se a indolência da canícula pudesse desarticular-se
da frescura do tijolo burro das almofadas de linho grosso cheias de palha
falas-me do desassossego do plasma
meus são os olhos que se desviam para os teus
encosto a cabeça no teu peito e por momentos
nele ouço apenas grilos e cigarras.
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blue
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10:02 p.m.
7
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20.7.08
16.7.08
15.7.08
14.7.08
ligo o i-pod-shuffle apetece-me dizê-lo assim
é como se entrasse numa cápsula de silêncio
para sentir o coração aos solavancos
o peito desabotoado os sons pulsando nas artérias
uma brisa na sombra do estio um pinhal
perder-me nas dunas brancas varridas por nuvens
as tuas mãos levo-as à face
como o sargaço sabem a sal
a mar.
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blue
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11:49 p.m.
5
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10.7.08
9.7.08
levantas-me o rosto estreitas-me os pulsos
o olhar demora-se no plano exterior da janela ao longe na rua acendem-se luzes
arrumo a cama o quarto as malas movimento-me como uma fissura
é difícil fazê-lo se me reténs a cintura para dizeres
que te lembro um crepúsculo de têmpera
terra de siena queimada azul da prússia rosa cal
tonalidades recorrentes dizes
o crayon khôl
os lábios vermelhos.
pela noite preferes a pele de giz onde segues a linha das clavículas
a curva dos ombros o arco do tórax o peso das nádegas
as artérias azuladas onde é possível medir o pulsar do coração.
(nota: de forma inconsciente, mas reconhecível após re-leitura,
o mote encontrava-se nas palavras do Eduardo, aqui)
Posted by
blue
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7:19 p.m.
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