COIMBRA_INDUSTRIAL, dia 21 - 21 horas
n'A CASA DA ESQUINA















(a minha pele de toupeira azul)
Posted by
blue
at
9:54 a.m.
1 comments
passeias pelo tablado durante a hora de almoço
como se palavras pudessem lavrar-te um incêndio
ser o álveo da massa solar ao largo de deliberada solidão.
aproximas-te do ocaso com o vagar de quem nada sabe
tropeças feres os joelhos os cotovelos as ventas
rasgas as palmas das mãos a fralda da camisa
e ainda assim
caminhas como se desapertasses as voltas de um corpete
como se ao fazê-lo me agarrasses pelos dedos
em jeito de quebra-luz
o enredo através do qual me descobres de forma tão inoportuna.
Posted by
blue
at
7:22 p.m.
2
comments
Posted by
blue
at
6:41 p.m.
1 comments
Posted by
blue
at
6:39 p.m.
0
comments
a manhã vazou as cumeadas agitou as copas dos eucaliptos
estendeu-se sobre a plataforma sempre vaga do parque de estacionamento
ainda à espera da promessa de subúrbio na margem do rio
prédios e moradias hipotecadas no lugar de olivais
iluminou a condensação do bafo nos vidros entreabriu pálpebras
fez da pele poalha das cabeleiras fulgor subitamente
o inverno termina indago-me
ao contar os lugares vazios que é assim que se contam na locomotiva
os desempregados os doentes
os que faleceram sem aviso prévio
é pelas ausências que se relembram o calendário das festas
o calendário escolar e
ainda que agora cada vez menos
o tempo das sementeiras
o tempo das colheitas.
na vida que se regula pelos horários das ligações ferroviárias
tenho um quintal com camélias um castanheiro laranjeiras
um pinheiro de natal
um outro cor de cinza azul
numa casa velha
uma rapariga um rapaz um homem uma mulher um cão
não sei como contar as ausências não é para elas que vivo
dirão que este poema está pleno de pathos
uma palavra cheia de contradições
a minha vida é em tantas coisas semelhante à vida dos outros
a quem poderão interessar
como se contaminam
no momento em que a manhã vaza os meus olhos
e faz da pele poalha das cabeleiras fulgor.
Posted by
blue
at
9:01 p.m.
5
comments

© filipe paes
diz-me o que visualizas quando escreves
uma página um conto um guião
agora que te encontras com atraso entre o vocábulo da chegada
estridente como um instrumento de sopro numa banda fúnebre mexicana
e a pergunta que te faria
o que vês quando escreves
de olhos fechados
sequenciando o ritmo da tua respiração
aguardando o pensamento que a inquieta e acelera
cada página como o fotograma que o teclado amarra ao ecrã
antes que um outro tu adormeça
ou se distraia por estímulo inesperado
um beijo ou apenas a sua saudade
mas quem se distrai agora sou eu
que queria apenas saber se vizualizas as páginas que escreves
se serias capaz de ditar de olhos cegos
os signos as metáforas os ais
pontuar com precisão
escolher o tipo de letra o espaçamento
sem viúvas nem órfãos saber o livro como objecto
apontar o grafismo
com exactidão diz-me se de madrugada
podem as paredes do lugar onde escreves com o arcaboiço das palavras
e se com elas se decompõe a casa ou se desfraldam sombras
o tecto como um planetário
é o lugar onde escreves uma câmara obscura
com clareza diz–me se
de olhos cegos
serias capaz de ditar as páginas que escreves?
Posted by
blue
at
8:46 p.m.
5
comments
não te mexas
desenho o sulco da carótida
a curva das pálpebras
abstraio-me no fluxo do plasma
reverberam tímpanos transcorro ventos
atravessam-me areias como setas
sou o caos logo depois o botaréu
como ser para lá da linguagem que me conforma
sobram papéis ausências como andaimes
sintomas do livre exercício
um ermo lugar esse que me destino
não te mexas.
Posted by
blue
at
11:29 p.m.
9
comments
no tablado
a mediação do ecrã em silêncio
canções poemas romances de cordel
o cinematógrafo a alvenaria das paredes da casa
a tela de dramaturgias escolares
o desabrigo.
Posted by
blue
at
11:28 p.m.
2
comments
galgar o céu de vinil até ao outro lado da estação
como se numa noite de inverno
pudesse transpor detritos bilhetes taras perdidas
as folhas dos jornais do arvoredo do Parque
as paredes carcomidas por cartazes e grafitos
agarrar-me ao cabo do guarda-chuva equilibrar-me no balanço das varetas
seguir pelo centro do asfalto o risco a corda bamba
e segurar-me às abas do sobretudo que as tuas mãos teimam em desapertar
como uma vela uma modalidade radical
o corpo engolfado a camisa desabotoada o gancho que se solta do cabelo
o chapéu os gomos da saia o cachecol
as pálpebras que enegreço
os dias antes do equinócio.
Posted by
blue
at
11:25 p.m.
10
comments

© joão abel manta
"Falar" na polícia por Diana Adringa.
um texto que se desenrolará por cinco posts.
a seguir, no "Caminhos da Memória".
Posted by
blue
at
12:57 p.m.
1 comments

© kiasma
todos os rapazes desejam a pele mórbida
que não cede sob a pressão das falanges
seixos lançados por fundas rompem copas de árvores
abrem caixas de nuvens desfiguram o céu
firmam a cabeça na argila do pinhal
quando a brisa resfolegante dita códigos como segredos
e a caruma se agarra às camisolas.
na penha as raparigas adormecem são o relento a noite americana
seguram livros nas mãos
desarmam os antebraços
enxergas que cheiram a suor e linho pensam os rapazes
uma funda de pele
um cartel de desafio.
Posted by
blue
at
10:54 a.m.
10
comments
rua fora
olhar a olhar
fotograma a fotograma
meço o espectro das palavras escritas
serão elas o que vejo
serão antes o que sei
o dilema do desenho da fotografia
da pintura
enquanto te moves digo para mim própria enquanto te moves
da mão da rapariga que afasta o cabelo dos olhos
para a mão que lhe descobre a espádua
um fotograma uma fractura uma peça de conversação
em contrapposto sou o contra plano de prata que a luz obscurece
escrevo eu o que vejo
escrevo antes o que sei.
Posted by
blue
at
11:15 p.m.
3
comments
LISBOA REVISITADA
-------------------------
Uma exposição de fotografias de Jorge Colombo
sobre poemas de Álvaro de Campos, um heterónimo de Fernando Pessoa
Inauguração a 15 de Janeiro de 2009, 18h30
Casa Fernando Pessoa, Campo de Ourique, Lisboa
Posted by
blue
at
11:27 p.m.
3
comments
apagam-se luzes na ágora
não sei do caminho que me leva à biblioteca de Serai
não sei da fotografia de Susan ou dos bandos de corvos desolados
apagam-se luzes
foguetes reflectem-se na córnea
perfuram o cristalino a retina os tímpanos cravam-se no peito
no entanto
não sinto o cheiro da pólvora o humor dos mortos
não me fere o silvo dos detritos arrastados por vagas de pressão
não se me esmaga o arcaboiço
não ensurdeço
não sufoco
não sei o que é o pavor nem a assolação
estou faminta
nunca me saciaram a alma ou negaram refúgio
detalhe arrogante fútil e inútil
quando se apagam luzes na ágora
rui a biblioteca do palácio
não encontro a fotografia de Susan desolada nos destroços
não ouço o crocitar dos corvos
o fôlego da brisa nas tamareiras
as cordas da pandora.
Posted by
blue
at
11:59 p.m.
12
comments


caneta sobre papel, 2009
the draughtsman´s contract
peter greenaway, 1982
Posted by
blue
at
10:53 p.m.
4
comments

caneta sobre papel, dezembro 2008
votos de um bom ano a todos os que por cá passam
e aos meus bloggers de todos os dias:
Luís Januário e André Bonirre, n'A Natureza do Mal
Maria N, no Segunda Língua
JPN, no Respirar o Mesmo Ar
Ana, n'Um Buraco na Sombra
Filipa Júlio, no Espiral Medula
Eduardo, no Terra Habitada
Rui Bebiano, n'A Terceira Noite
Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória
António Figueira, no 5 dias
Miss Woody e Miss Allen, n'O Regabofe
e ainda:
Paint it Black
Sem Data Marcada
Pescada nº5
Kiasma
Photomaton
Casa de Cacela
Menina Limão
Caixa de Lata
Avenida Central
Itens restantes
Ana de Amsterdam
O melhor amigo
Os Livros Ardem Mal
Caminhos da Memória
Da Literatura
Criatura
Posted by
blue
at
12:29 a.m.
18
comments



© pedro morais
colecção Oficina dos Sonhos - Autores Portugueses
Porto Editora
Posted by
blue
at
7:53 p.m.
9
comments

diários de viagem, por eduardo salavisa
inclui 35 AUTORES CONTEMPORÂNEOS DE DIÁRIOS DE VIAGEM
(Autores com profissões/actividades diversificadas que se servem do Diário para exercer essa actividade ou para outros fins)
(por ordem alfabética)
Antonia Santolaya. Espanha. 1966. Ilustradora
António Jorge Gonçalves. Portugal. 1964. Autor de BD. Ilustrador
Cruzeiro Seixas. Portugal. 1920. Pintor. Poeta
Eduardo Côrte-Real. Portugal. 1961. Professor. Arquitecto
Eduardo Salavisa. Portugal. 1950. Professor. Pintor. Designer
Enrique Flores. Espanha. 1967. Ilustrador
Fernando Brazão Gonçalves. Portugal. 1973. Artista Plástico. Comerciante
Filipe Leal Faria. Portugal. 1976. Arquitecto
Francisco Vidal. Cabo-Verde. 1978. Pintor
Isabel Gata. Portugal. 1973.
Ivo Moreira. Portugal. 1979. Pintor
João Catarino. Portugal. 1965. Professor. Ilustrador. Designer gráfico
Jorge Trindade. Portugal. 1978. Designer de Equipamento
José Louro. Portugal. 1964. Designer. Professor
José Maria Sánchez. Espanha. 1958. Director de Arte
José Neves. Portugal. 1963. Arquitecto. Professor
Lagoa Henriques. Portugal. 1923. Escultor. Professor
Lucile Dubroca. França. 1966. Arquitecta Paisagista
Manuel João Ramos. Portugal. 1960. Antropólogo. Professor
Manuel San Payo. Portugal. 1958. Pintor. Ilustrador. Professor
Mário Bismarck. Portugal. 1959. Pintor. Professor
Mónica Cid. Portugal. 1973. Artista Plástica. Professora
Pedro Baptista. Portugal. 1948. Fotógrafo. Designer gráfico
Pedro Cabral. Portugal. 1954. Arquitecto
PeF. Pedro Fernandes. Portugal. 1978. Geólogo. Desenhador científico. Ilustrador
Pedro Gaspar. Portugal. 1982. Designer gráfico
Pedro Mamede. Portugal. 1968. Professor. Designer
Pedro Morais. Portugal. 1962. Ilustrador. Autor de BD. Designer gráfico
Pedro Salgado. Portugal. 1960. Biólogo. Desenhador científico
Renato Alarcão. Brasil. 1970. Ilustrador. Artista visual. Arte-educador
Ricardo Henriques. Portugal. 1977. Copywriter
Rita Cortez Pinto. Portugal. 1977. Artista Plástica
Susana Campos. Portugal. 1967. Pintora. Professora.
Susana Oliveira. Portugal. 1967. Professora. Ilustradora
Simonetta Capecchi. Itália. 1964. Arquitecta. Ilustradora. Professor
Posted by
blue
at
10:21 p.m.
3
comments

© Goshka Macuga, Deutsches Volk – Deutsche Arbeit, 2008
© Photo: Sam Drake, Tate Photography
londres, 8 dezembro 2008, tate britain
the turner prize
Posted by
blue
at
11:02 p.m.
0
comments

Triptych – August 1972, Oil on canvas
© The Estate of Francis Bacon/DACS 2008 Tate
londres, 8 dezembro 2008, tate britain
francis bacon
Posted by
blue
at
11:01 p.m.
0
comments

untitled, 1969
© kate rothko prizel and christopher rothko/DACS 1998
london, tate modern, 8 dezembro 2008
mark rothko
Posted by
blue
at
11:00 p.m.
1 comments

© robin rhode, wheel of steel, 2006
londres, hayward gallery, 7 dezembro 2008
Posted by
blue
at
11:00 p.m.
1 comments
londres, hayward gallery, 7 dezembro 2008
andy warhol: other voices, other rooms
Posted by
blue
at
10:59 p.m.
0
comments

cildo meireles, fontes (detail) 1992/2008
© courtesy the artist, Photo: Tate Photography
londres, tate modern, 7 dezembro 2008
cildo meireles
Posted by
blue
at
10:55 p.m.
1 comments

j. m. gandy, 1813
londres, sir john soane's museum, 6 dezembro 2008
Posted by
blue
at
11:00 p.m.
1 comments

© photo by harry poole
londres, national portrait gallery, 5 dezembro 2008
juice vocal ensemble
Posted by
blue
at
11:05 p.m.
0
comments

© hendrik kerstens, 2007, bag
londres, national portrait gallery, 5 dezembro 2008
taylor wessing photographic portrait prize
Posted by
blue
at
11:05 p.m.
1 comments

Annie Leibovitz, "Susan at the House on Hedges Lane," 1988
londres, national portrait gallery, 5 dezembro 2008
Posted by
blue
at
11:00 p.m.
2
comments

Albrecht Dürer, 'A Portrait Machine', 1525
© The Trustees of The British Museum, London
londres, national gallery, 5 dezembro 2008
renaissance faces, van eyck to titian
Posted by
blue
at
10:55 p.m.
0
comments

Antony Gormley, Earth. Black and grey ink wash, 1994
© Antony Gormley and Jay Jopling/White Cube.
londres, british museum, 5 dezembro 2008
british sculptors’ drawings: moore to gormley
Posted by
blue
at
10:54 p.m.
0
comments

mask II, 2001/2002, mixed media
© ron mueck
londres, british museum, 5 dezembro 2008
statuephilia
Posted by
blue
at
10:53 p.m.
1 comments

trazes o semblante das pequenas ausências
sentas-te na mesa usas palavras de pelica levanto-me
penso na nuvem de papel de arroz na crina gasta do pincel
sobre a boca a tinta-da-china uma atadura de estopa tecida de silêncios
passo a passo atravesso na longitude o passeio que de ti me reserva
ficas parado
no contracampo movem-se árvores o gradado que circunda o jardim
passo a passo atravessa-me a tua respiração como uma lâmina
sinto o fôlego da falésia o arremedo da fraga por momentos
é como se não percorresse estas artérias
como se não estivesse retida no tráfego das palavras inúteis
nos advérbios de modo
e fosse a nuvem de papel de arroz sob a crina gasta do pincel
a boca os olhos a tinta-da-china a velatura
o desassossego.
Posted by
blue
at
10:55 p.m.
12
comments
poderia remeter-me ao desamparo agora
até que uma palavra me varresse o diafragma
ah como a luz coada do meio-dia
o outono quase termina caem folhas hibernam ervas ramagens
é de cobre o castanheiro plantado à sombra dos infantes
velando o meu corpo
como água de cal
como quando não respiro
como quando me calam os teus lábios o outono quase termina
adormecem prados lameiros bosques e matas
no jardim recolho folhas secas preparo a cama de húmus
tenho mãos de prata
une jeune fillette s’endort sur terre
sinto em mim a secura do inverno que se aproxima.
Posted by
blue
at
11:17 p.m.
3
comments
Posted by
blue
at
12:54 p.m.
5
comments

a água corre pelas pálpebras pelas pontas do cabelo
curva na escápula nos seios no ventre nos joelhos
contorna as palmas dos pés liberta-me o semblante
sento-me no chão e penso
deveria praticar ioga
erguer-me como uma árvore assimétrica na torrente
de quando em quando o vento arrancar-me-ia uma ou outra ramada
talvez me cobrissem heras ou vinha virgem
não usaria de palavras não as escutaria.
agora que somos todos Americanos indubitavelmente mestiços
só nos falta sermos todos Mulheres
talvez daqui a quarenta anos possam os nossos filhos dizê-lo
pois que nessa matéria a cor da pele não revela diferença
ressalvo que quando falo de Mulheres não falo
daquelas que se portam como homens
e que nada tenho contra os Homens
estou é tão cansada destes tempos vagarosos
onde ainda é possível apedrejar raparigas velá-las como corvos
incendiar-lhes o sari pagar-lhes um salário inferior por igual trabalho
cansada dos parlamentos masculinos das escolas da misogenia
dos estrategas que nos vêem como enfeites para garantir respeito e votos
cansada da bem pensante esquerda da iluminada direita
de todos os que esperam que nos comportemos
com gravidade e circunspecção masculinas
sem histeria dizem condescendentes
as mulheres refilam choram têm síndrome pré-menstrual engravidam
aborrecimentos que perturbam o ideário da gestão asséptica inócua
e muito produtiva - uma meta em alta
estou cansada das mulheres que podendo não compactuar com tudo isto
preferem a tranquilidade dos direitos adquiridos
são melhores os tempos de hoje que os das suas avós e mães mas
só nos falta sermos todos Mulheres digo eu que sou impertinente
que não me calo.
às vezes quando se me escurece a alma penso
deveria praticar ioga
erguer-me como uma árvore assimétrica na torrente
de quando em quando o vento arrancar-me-ia uma ou outra ramada
talvez me cobrissem heras ou vinha virgem
os pássaros alimentar-se-iam de pequenos vermes e insectos
estranhos líquenes tomariam o meu torso
não usaria de palavras não as escutaria.
Posted by
blue
at
9:29 p.m.
13
comments
de que se vive quando se cerram os olhos
de que se morre quando o desejo os fendilha
de que se sobrevive se me armo à prova de bala
e tu te despojas de fragmentos
nada mais do que a tua pele exposta
o deserto de sal cujo sopro nos queimará os lábios?
repito não sei de bálsamo que nos repare
nem de palavras vertebradas que sustenham os quatros palmos de uma passada
não há ponte nem passagem
não há estilhaço que nos cegue nem treva que nos ensurdeça
não nos é reservada a quietude.
Posted by
blue
at
12:52 p.m.
4
comments
Posted by
blue
at
12:41 p.m.
2
comments
"QUE FORÇA É ESSA?"
Mulheres nos Caminhos da Memória:
"(...)
Não obstante o destino trágico das suas vidas, elas permanecem como verdadeiro manual de sobrevivência contra o compromisso, a desmoralização e a apatia da conjuntura presente. É mais que uma lição de história. É o triunfo da memória."
TEXTOS PUBLICADOS:
Posted by
blue
at
9:40 p.m.
4
comments
