9.7.08
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7:10 p.m.
26.6.08
19.6.08

"As relíquias (do latim reliquiae, “restos”), são os despojos materiais deixados por um santo ou uma personagem sagrada ao abandonar o mundo terreno; podem ser partes do seu corpo, objectos pessoais, ou objectos que, segundo os crentes, ele santificou pelo seu contacto. São preservados para efeitos de veneração no âmbito de uma religião, encontrando-se normalmente associados a uma lenda ou história religiosa.(...)" excerto do texto da exposição de Maria José Goulão
É com base neste texto que 24 ilustradores portugueses aceitaram o convite de participação na mostra de ilustração "Memorabilia", esta exposição é uma continuação do "Homem Selvagem" na Galeria da Cozinha da FBAUP em 2007 e da vontade da FBAUP e do Dep. de Design de divulgar a ilustração e os seus processos de actuação."
inauguração no dia 20 de junho (sexta-feira)
às 17:00 no Átrio da Reitoria da Universidade do Porto
a exposição estará patente entre os dias 20 de junho e dia 4 de julho
segunda a sexta das 10:00 - 19:00 e sábados das 10:00 às 14:00
organização:
Júlio Dolbeth
Maria José Goulão
Rui Vitorino Santos
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9:48 p.m.
18.6.08
caminhos da memória
um blogue que pretende dar voz a diferentes formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória
Redacção:
Diana Andringa, Irene Pimentel, Joana Lopes, Maria Manuela Cruzeiro, Miguel Cardina, Raimundo Narciso e Rui Bebiano
Colaboradores:
José Luís Saldanha Sanches, José Medeiros Ferreira, José Vera Jardim, Nuno Brederode Santos
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8:47 a.m.
16.6.08
os detalhes repetem-se na deriva da caneta
no papel de algodão na tinta por aplicar
no que ainda não escrevi
irregular sou irregular
geométrica noutra hora curvilínea
nada sei de mim menos sei ainda dos detalhes
explícitos que te acompanham a que horas despertas
se ferve a água para o chá inglês se o teu cabelo cai sobre os olhos
se tombas as mãos na tina de ferro irregulares as tuas mãos
sob a água nada sei de ti nesse vagar já nada sei de ti
nada de mim assim tão irregular.






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9:43 p.m.
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15.6.08
detalhes pontos de fuga início de uma outra história
é quase verão e já sinto a água da albufeira salgar o meu rosto
o funcho-marítimo cobrir o amplexo da falésia
piteiras-bravas núvens brancas darão corpo ao vento leste à nudez
às sombras sobre a areia onde me estendo
é quase verão.
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10:16 p.m.
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10.6.08
sabes quando me sento e tu não me olhas quando me desalinho
calço sandálias negras depois de polida a pele
empoeiradas as maçãs do rosto desenhados os lábios de carmim
sabes poderia ser um arrufo um arremedo inútl
mas é apenas um recuo ergo-me como se não carregasse outro peso
que o da minha vontade que outro peso não é
o de um lugar ermo onde às vezes as tuas mãos me resgatam
quando me enlaças
um olhar semicerrado como se fora um dia de verão
na falésia onde o vento nos empurra um contra o outro
e é inevitável que me beijes
a pele seca dos dedos dos lábios das pálpebras
às vezes um dia de verão um desalinho.

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10:13 p.m.
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5.6.08
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1:00 p.m.
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31.5.08
28.5.08
espectáculos extra a 2 e 3 de junho!
CRÓNICA FEMININA
um espectáculo de PALAVRAS LOUCAS ORELHAS MOUCAS
texto e encenação de Laura Ferreira
com Nanci Sousa, Gisela Baltazar, Joana Melo Costa
Laura Ferreira e Rosário Nascimento
de 26 a 31 de Maio, às 21h45
no ESTÚDIO ZERO
rua do Heroísmo, nº 86, Porto
reservas pelos 96 29 65 763 / 91 92 59 935
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1:20 p.m.
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25.5.08
e se me quiseres escrever saberás o meu paradeiro?
não posso esperar para te dizer que alcatroaram a rua encanaram a água da rega
desfiguraram a igreja caiu a árvore no pátio do colégio a faia no casal do paço
o reboco resiste aos sais na maior parte da fachada
embora se esboroe junto da janela do quarto
na padaria já não se coze pão
reconhecer-me-ias agora que manchas solares tomam a minha pele
queria pensar nelas como plantas que se enraizaram na derme
mas sei que são apenas sombras-radicais-livres
não sei se gosto desta palavra
também não gosto do corrector da aplicação informática
não reconhece outras palavras desorienta-se
e sem querer escrevo o que não pensara
em inglês ou espanhol hesito nas palavras que me contrapõe
desoriento-me
mas que importa houve um terramoto na China tempestades na Birmânia
não há liberdade que lhes valha palavras que os amparem
nem blasfémias que nos salvem aqui chove apenas
todos se lamuriam como sempre se lamuriaram
nestes pequenos desgostos na nacional mesquinhez
não saberás por isso o meu paradeiro
agora que fumam vides e oliveiras na fogueira que me aquece quartos e salas
o castanheiro ensombra o quintal que a grama invade
demoliram a casa dos vizinhos e constroem uma outra portuguesa-com-certeza
grosseira como o técnico licenciado por universidade vetusta
assim subscreveu o risco que a suporta
responsabilizando-se perante o órgão eleito por voto universal
não há blasfémias que nos condenem palavras que nos salvem
aos poucos cerca-me a vida tal como ela é
e sei melhor quem sempre fomos
ainda que esteja certa de que não saberás o meu paradeiro
não faço plásticas não injecto toxina botulínica do tipo A não me escondo
estou na primeira linha de fogo.
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10:42 p.m.
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21.5.08
quantas vezes em maio a secura trouxe o travo dos incêndios no estio
na tua boca quantas vezes o silêncio
das tuas mãos embaraçadas na minha cintura.
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10:40 p.m.
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20.5.08
18.5.08

© maria paes
pelo carreiro fora a mulher entrança ramagens de vinca florida
que uma criança coloca no colo sobre os cabelos
levam o almoço aos jornaleiros que andam à batata
passam sob oliveiras e azinheiras em flor por campos de favas
a mão da mulher aponta as violetas as ervilhas-de-cheiro
os bichos-da-conta tufos de pão-e-queijo por entre as pedras dos muros
prímulas perfumadas que colhem na volta da tarde
primaveras.
ao revê-las assim não me pesam tanto as sombras
aquelas que estão no fundo do colo junto ao esterno
as que são a razão para a flecha do diafragma sobre o ventre
as que me arqueiam a coluna e deformam as palavras.
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8:44 p.m.
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15.5.08
nesta revista participam, entre outros:
André Lemos
Diniz Conefrey
Filipe Abranches
José Abrantes
José Carlos Fernandes
Pedro Leitão
Pedro Morais / Cláudia Santos Silva
Pedro Nora / Jessica Khane
Roberto Gomes / José Carlos Fernandes
Susa Monteiro
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1:04 p.m.
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11.5.08
acorda
já te desconheço
vê as mãos que não cabem nos bolsos
os tornozelos que rompem meias os cotovelos encaixados na cintura
o amplexo dos braços maior que o diafragma maior do que um beijo
o pescoço erguido como o caule dos lírios
acorda
tens os pés fora dos lençóis a respiração breve
as palmas das mãos abertas como cartas
e sou eu quem já te desconhece
tão distante do pedregal coberto de tojo e de giesta
das pedras lisas onde imaginas o curso de todos os outros caminhos
acorda
caiem ramagens de vinca aguaceiros flores de relento
eu também caio não quero amparo
acorda.
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10:15 p.m.
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5.5.08
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11:28 p.m.
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4.5.08
inquieto-me.
meço o quadriculado das aberturas o perímetro do crâneo
onde passam a par têmporas e orelhas
passam mãos omoplatas ancas e por último pés
inquieto-me
tu já te encontras do lado de lá.

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8:30 p.m.
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23.4.08
20.4.08

(tinta-da-china sobre papel, 1990)
encontro-te por vezes nesse lugar ermo
de silêncios impuros e crepúsculos indolentes
que atravesso tão depressa quanto uma bátega de abril tão depressa
que o teu olhar quase não reconhece a intranquilidade que me assola
enquanto descem persianas correm estores e baixam pálpebras
do outro lado da rua ao entardecer.
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10:35 p.m.
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13.4.08

da minha janela para a tua
há um veio de luz reflectido pelas águas inquietas do Tejo
entre parapeitos
um abismo onde as copas dos plátanos e dos choupos escondem
pracetas calcetadas florescem tílias azuis jacarandás
velhos sentados em bancos de madeira cruzam as mãos no regaço
olham devagar o cintilar da luz solar que atravessa as sombras
quando a brisa sopra riem como os rapazinhos que desenham círculos
enquanto os pneus das bicicletas chiam no alcatrão e adolescentes falam
tão alto para os telemóveis
da minha janela para a tua
há uma vaga de pólen que tudo embriaga mesmo quando chove
e às copas das árvores somam-se os guarda-chuvas abertos
vejo-os rodopiantes riscando percursos nesse sopro de luz
que são os cabelos húmidos das raparigas tagarelando no regresso a casa
ouvem-se os passos dos homens e das mulheres
percebe-se quando levam uma criança pelas mãos também cintilam
mesmo quando são escuros e distantes os olhares
e se embaciam as vidraças que resguardam
os rostos de quem apenas contempla
uma rapariguinha aprende a coser botões
da minha janela para a tua
a cidade repete-se intemporal
o ar traz o sal liberto pelas vagas que embateram na costa
da minha janela para a tua entre parapeitos entre mãos
vai o olhar de um rapaz intranquilo que faz soar a guitarra eléctrica
propagam-se os sons que abalam a caixa toráxica da cidade dormente
embatem no diafragma das sombras que celebram o anoitecer
e fico arfante
sou o torso pálido de uma gárgula debruçada sobre a rua onde passas
o teu desejo é um veio de luz reflectido pelas águas inquietas do rio.
© filipe paes, 2008
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9:07 p.m.
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vazam-se olhares de cinzas
o peito que se arrebata do plano fantasmagórico de todas as ausências
vazam-se as mãos umas das outras aguardam-se tempestades
e enquanto se vazam desesperos
a pele seca
engelha-se
a ossatura dissolve-se
o olhar silencia-se
.
(lápis sobre papel, abril 2008)
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11:21 a.m.
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12.4.08
dia 18 de abril, pelas 21h
apresentação por Nuno Júdice
é possível encomendá-la escrevendo para revista.criatura@gmail.com
lista das livrarias onde a revista já está à venda:
Lisboa
Alexandria (Bairro Alto)
Apolo Lda (C. C. Apolo)
Assírio & Alvim (R. Passos Manuel)
Barata (Av. Roma)
Book House (Saldanha)
Buchholz (R. Duque de Palmela)
Bulhosa (Entre Campos)
Bulhosa (Galerias Twin Towers)
Editorial Escola (Caleidoscópio, Jardim do Campo Grande)
Letra Livre (Calçada do Combro)
Ler Devagar (Bairro Alto)
Multinova (Av. St Joana Princ)
O PaçoPó dos Livros (Av. Marquês de Tomar)
Portugal (Chiado)
Sá da Costa (Chiado)
Trama (R. São Filipe Nery)
Porto
Maria vai com as outras (Rua do Almada)
Poetria (C. C. Galerias Lumière)
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7:00 a.m.
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6.4.08
sigo por rio de couros a sombra acre dos muros cegos
sinto-a sobre a pele enquanto seguras as minhas mãos
sigo por rio de couros proibido
logo ali do outro lado da alameda
logo atrás da casa da professora da modista
dos vestidos de seda grossa das saias de mousselina
pacientemente cosidas no sobrado estreito
dois por piso ao longo de quatro patamares
(mas não é dela que quero falar)
é de rio de couros ali logo atrás da linha do casario
cosido à alameda que o ditador rasgou no burgo
(mas também não é desta que agora quero falar)
para trás o saibro vermelho as fontes o coreto
desço a rio de couros por ruas estreitas onde já ninguém passa
sigo a sombra acre dos muros cegos
neles estão ancorados os arcaboiços vazios do curtume
neles imagino naves barcas aeroplanos
enquanto os teus dedos tacteiam os meus pulsos
tomam os meus antebraços
tão devagar
cai sobre a pele a luz entrecortada pela fasquia de madeira
entrecortada pelos teus dedos que quase tocam o rubor das minhas faces
ali onde não há rosas-da-china nem pomares
onde a seiva do sumagre não serviu para fazer laca-do-japão.
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8:41 p.m.
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2.4.08
30.3.08
28.3.08
26.3.08


O primeiro número da revista literária Criatura já está impresso.
Participam no primeiro número os seguintes autores:
Ana Aleixo Lopes
Ana M. P. Antunes
António Ramos Pereira
Beatriz Hierro Lopes
Cláudia Santos Silva
David Teles Pereira
Diogo Vaz Pinto
José Carlos Barros
Maria Sousa
Marta Caldeira
Marta Chaves
Nuno Araújo
Rita Branco Jardim
Sara F. Costa
Susana Almeida
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10:46 p.m.
25.3.08

© zp
quando chego à paliçada que te encerra
e cais como quem apenas respira
sobre a nuca sobre a curva do ombro
sobre a areia branca que cega e enfarta
sem que saibas de maçaneta portada ou vidraça
sem que te reconheças na membrana fotográfica que o dia imprime
e és contraluz vagalume corpo nocturno.
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6:54 a.m.
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17.3.08
12.3.08
chegas trazendo a morte como uma criança pela mão
atravessas os juncos enlameados pisas as gramíneas
arrumas no bolso o coração abalado sacodes o vestido branco de lã
abres o caderno vermelho e escreves o teu nome
escreves
pétala pedúnculo gineceu.
a morte ficou parada com os seus grandes olhos fitos
nas poeiras cansadas do Levante
escuta palavras omissas vozes falsas
no peito traz a planta vascular com sementes de cal
a braçada de magnólias de onde colhes o meu nome
de manhã caiem sombras, muito devagar
disse. caiem com as pétalas negras das camélias
definham com o perfume das tangerinas.
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11:09 p.m.
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10.3.08
o que lerei esta noite para saber da tua voz
contos pântanos brisas comboios desertos
um arrepio uma funda um assobio
o que lerei que palavras soletrarei como reter o tempo
sequóias desfiladeiros fragas
lágrimas um rubor vagas
que mãos tomarão as faces os cabelos
que bocas cegas se tactearão
a cintura o torso as omoplatas os cotovelos
os pulsos abertos o sexo as nádegas
o que lerei esta noite
um arrepio uma funda um assobio.
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11:59 p.m.
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7.3.08

© maria paes
pareces mesmo tu, aí, como te imagino. quase tronco, galho, folhagem.
o corpo ancorado de manhã
no flanco de um fotograma inesperado
l’air d’une chanson perdue.
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7:05 a.m.
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4.3.08
3.3.08
no sábado vi o documentário na televisão
o rosto dos soldados que interrogaram homens
no Iraque no Afeganistão
o ar crispado de quem não era suposto ser julgado
e passar uns tempos encarcerado
olhei o Mal o cinismo a ignorância a ignomínia as botas cardadas
a pele exposta sem outro camuflado que não o do medo
as discussões abstractas infames dos generais dos secretários de estado
o gozo primário dos raciocínios do presidente os esgares
aprendi sobre a humanidade de dormir quatro horas ou apenas duas
preso pelos pulsos ser espancado até ao homicídio à exaustão
perguntei-me se dessa morte lenta já terão padecido em número suficiente
olho por olho dente por dente mortos para saciar os profetas do medo
as vozes do apocalise os senhores de todas as guerras
os que hesitaram na resposta à pergunta se seria legítimo
pontapear os testículos do filho de um homem
a quen se quer extorquir uma qualquer informação
será que já são tantos quantos os que arderam nas torres gémeas
tantos quantos os que morrem pelas ruas de Bagdad
tantos quantos os rockets sobre as praias de Israel e de Gaza
será que já chegam será que não
será que serei capaz de me levantar da náusea que me asfixia
lavar-me do nojo
será que serei capaz de descobrir a cara
de remover este véu de vergonha
será que não.
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blue
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7:00 a.m.
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2.3.08
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