13.10.09

pilhas de livros no chão da livraria na mesa no balcão
uma cave onde se alojam volumes e segredos

longe da montra sobre a rua face a face

uma casa de brinquedo um conto de reis

uma resma de livros nos dedos manchados de tinta.

já passa das dezanove encerras o escritório

antes de subir contaras

geométricos azuis-bébé verdes-retrete azulejos
polidos
o aleatório visual transformado em pauta no córtex do dia

contaras depois as horas os estalidos do isqueiro os requerimentos as alocuções

as mudanças de tonalidade no céu colhido pela janela basculante

observaras os rolos de fumo acumulados na massa de ar do compartimento

atribuíras-lhes palavras um jogo mas

adormecida fica a máquina de escrever agora que se foram o sócio e a secretária

os lances de degraus atravessam-se no sentido contrário e


num sopro de laca o Outono varre a cidade
da penumbra dos cedros do Líbano às folhas de carvalho
que crianças perseguem no saibro vermelho.


5 comentários:

Pedro Tudela disse...

Lindo ...
... e obrigado.
Se me prometeres que este teu sitio não se apaga,
juro que continuarei a "imaginar" ;)

blue disse...

de repente, quando o poema se compunha, a tua imagem parecia feita de propósito para ele - ligações que se vão construindo no subbconsciente :)
... obrigada eu!

CNS disse...

Sei que me repito. Mas a tua poesia é isso. Silabas de luz. Ar. Belíssima.

Anónimo disse...

poema e imagem perfeitos! (parabéns aos dois)
alertas todos os sentidos: vemos, ouvimos, cheiramos,
sentimos...
és mestra, Claúdia. (para quando um livro?)
Um beijo
marisa

Laura disse...

Sim, perfeito.

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