(tinta-da-china e ecoline sobre papel, sem data)
é tarde quando atravessas a praça da oliveira
é talvez outono, ou mesmo inverno e
atravessas o ar gelado de braços cruzados sobre os livros
os seios ainda pequenos
a passada rápida ao largo do vão de escada que cheira a urina
antes dos degraus de pedra gasta, antes da secretária de empréstimo
antes do vidro que é porta
antes da biblioteca.
é uma rapariga essa que atravessa o amplo o sobrado
e que se acocora junto das estantes
junto ao outro sobrado que nunca pisará
o-dos-livros-para-adultos
(o dos livros que lê em casa ou que a avó lhe compra na casa havanesa)
a luz é esparsa, absorvem-na os tectos de maceira pintados
absorvem-na as poeiras, o cheiro a papel, as encadernações manuseadas
as palavras impressas
interlocutoras e suporte de um anseio desconhecido
conformando o olhar, a voz, o vazio que a levará para longe
e que dali avisto como se fora de uma outra vida.
no verão seguinte, a mãe ofereceu-lhe o tubo de máscara negra
que lhe afundará ainda mais o olhar
o pai a câmara fotográfica
o sentido da luz e as vertentes do obscuro
(e ficas só)
as sessões de cine-clube, as matinés
os cantares de amigo quase sussurrados a quatro vozes
em noites de verão no claustro descoberto ao luar
tendo como ouvintes o lajedo, as gárgulas, os fustes desfolhados
os arcos de pedra sequenciando vozes nos inversos reflexos do dia-a-dia
suspensa a alma nas linhas melódicas das canções heróicas
as palavras plenas do futuro.
é tarde quando atravessas a praça da oliveira
é talvez outono, ou mesmo inverno e
atravessas o ar gelado de braços cruzados sobre os livros
os seios ainda pequenos
a passada rápida ao largo do vão de escada que cheira a urina
antes dos degraus de pedra gasta, antes da secretária de empréstimo
antes do vidro que é porta
antes da biblioteca.
é uma rapariga essa que atravessa o amplo o sobrado
e que se acocora junto das estantes
junto ao outro sobrado que nunca pisará
o-dos-livros-para-adultos
(o dos livros que lê em casa ou que a avó lhe compra na casa havanesa)
a luz é esparsa, absorvem-na os tectos de maceira pintados
absorvem-na as poeiras, o cheiro a papel, as encadernações manuseadas
as palavras impressas
interlocutoras e suporte de um anseio desconhecido
conformando o olhar, a voz, o vazio que a levará para longe
e que dali avisto como se fora de uma outra vida.
no verão seguinte, a mãe ofereceu-lhe o tubo de máscara negra
que lhe afundará ainda mais o olhar
o pai a câmara fotográfica
o sentido da luz e as vertentes do obscuro
(e ficas só)
as sessões de cine-clube, as matinés
os cantares de amigo quase sussurrados a quatro vozes
em noites de verão no claustro descoberto ao luar
tendo como ouvintes o lajedo, as gárgulas, os fustes desfolhados
os arcos de pedra sequenciando vozes nos inversos reflexos do dia-a-dia
suspensa a alma nas linhas melódicas das canções heróicas
as palavras plenas do futuro.
10 comentários:
as canções heróicas, de lopes graça.
AS CANÇÕES - NO SENTIDO DA LUZ -
HERÓICAS ALMAS SUSPENSAS
CERTO BLUE
lindo!
gostei, como não podia deixar de ser. entrou de novo na roda esta leitora atenta.
um beijo
bem regressada sejas, marisa, fico muito feliz de te encontrar de novo por aqui e espero o teu olhar atento!
um beijo.
Parabens pelo vosso excelente blog. Convido a visitar o nosso novo blog
desculpem, deixarei o endereco
olivais
Tem ar de quase conto...
Com a descrição, pude ver a cena.
:D
o futuro mora aqui.
:)
obrigada. Bue...
/o fulgor do instante.
por acaso cheguei.
encantado me encontrei.
deduzo portanto que, para além de boa poeta, é também pintora.
E que fascínio, quer na escrita quer no desenho-pintura.
Bom feriado
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