1.4.07



(estudo, lápis sobre papel)
(aguarela sobre papel, 1990)

odeio que me transformes em ser dependente.
odeio quando, dependurada sobre as frases que soltaste inconsequentemente,
fico à espera, confiante,
irrequieta, depois de abandonar no espelho a imagem mais bela de mim para ti.
odeio, por fim o teu atraso ou abandono,
quando toda a ânsia de te tocar se transformou em fastio.

mas odeio mais ainda o teres conseguido deixar-me só
porque destruiste os segredos.
estes já não mais sâo o que queremos preservar,
a reserva delicada que marcamos sobre o corpo para além das palavras:
são o grosso da solidão e só o desespero a consegue ultrapassar.

é então que as rupturas ficam perto do nosso olhar
e a paciência é pouca por tão escasso amor.

5 comentários:

blue disse...

escrito em 1985.

Maria disse...

o ódio não deixa de ser um sentimento forte...

laura disse...

mas tem tanta força...

blue disse...

não falo, porém, do ódio, mas da ausência de amor e de como este definha até à extinção, talvez até ao ódio, por cada abstenção sofrida...
(sorrio)

Anónimo disse...

"é então que as rupturas ficam perto do nosso olhar
e a paciência é pouca por tão escasso amor."



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____________________.


preservo.


beijo.
(piano)

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