21.12.06

foi sob as velhas árvores que, ao invés do tempo,
perdi a capacidade de olhar os teus olhos,
embrenhando-me, distraída e pressurosa,
no estalar da caruma e das folhas de carvalho,
ao ritmo dos passos vagos e serenos
pelo cheiro a musgo e alecrim das canções da minha infância,
imaginando palavras desenhadas
como redes de pássaros para te encontrar.

foi imersa no perfume de uma límpida bruma que te vi riscar
o derrube dos escolhos que dispersara pelas rotas escusas
que acedem ao meu coração
(e que julgara definitivos, seguros
e inexpugnáveis)
meticulosamente minados por essa afeição perene
que me retirou o poder de mentir,
da omissão deliberada e de,

para os teus olhos,

poder olhar.

(sinto que se aproxima o vento
que soprará dos meus lábios
as estórias dos amores risíveis)

este é o tempo do silêncio.

este é o tempo que preserva
o fim sem fim dos nossos dias.

1 comentário:

laura disse...

bom natal,bom ano para todos vocês.
um beijo,lau.

Arquivo do blogue

 
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.