11.9.06

depois dos filmes de cowboys, do zorro e dos livros de j.austen
os subúrbios dickensianos no desenho da cidade imaginada
reencontrada no Porto quando estudante:
velhas usinas cohabitando no cadastro medievo com a ruralidade camiliana
que apenas se adivinha por detrás de um muro no fundo de um qualquer beco
as fábricas ao lado dos portões das quintas
as casas apalaçadas no resguardo da sombra de uma calçada

e na cidade burguesa e altiva
as empenas de chapa enferrujada conformando a arquitectura
feita por componentes de granito
as ruas corridas por fachadas falsamente escuras
de vidros sujos e caixilhos delicados
onde se reflectem brumas como madrugadas inesperadas

o douro por vezes

por outras as dunas depois das vagas da foz
as magnólias debruçadas nas ruas de granito escorregadio

(haveria se calhar antúrios, camélias, jacarandás, plátanos e tílias...)

papoilas não, por certo. essas avistavam-se da janela da camioneta
que passeava até ao alentejo para registar sobre cadernos de papel
os desenhos uma outra luz

3 comentários:

blue disse...

ainda o porto.

rosi disse...

sem dúvida que é o Porto, tão bem sentido.
(dessa janela, avisto os ciclos naturais da terra, cuidada com desvelo pelo octagenário Sr. Joaquim. Que tenha uma longa vida!)

António disse...

Bonito. A continuar, sem dúvida.

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