18.1.06


a espera
(tinta permanente sobre papel fabriano, abril 2002)



A ESPERA

O campo, escuro; longe, no mar,
as luzes. E um pássaro nocturno.

Sentado está meu pai,
um olor de laranjeira entre seus dedos
e o rosto prateado. Espera.
E num longo passeio,
de oração e vigilância do jasmim,
minha mãe está à espera.

Baforadas de tempo erguem-se à varanda, de onde olho
na solidão, suas sombras. Nesta casa
todos esperamos quem nos nega.

Francisco Brines (1932)
Ensaio de Uma Despedida

3 comentários:

Farkas disse...

olá e bem-vinda

belo desenho

claudia disse...

este é um desenho de viagem, uma viagem feita por um conjunto de livros que li no verão de 1997, o ano em que nasceu a Maria.
sobre o rascunho então desenhado, em 2002, fiz este desenho, a que chamei "a espera".
ao abri ao acaso o poemário (Assírio e Alvim, 16 de outubro de 2003) para escolher uma poesia que o acompanhasse, deparei-me com esta.
achei a coincidência entre os títulos interessante, bem como a existência de um pássaro nocturno...

Farkas disse...

um bonito desenho

espero mais

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