30.8.09
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blue
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11:01 p.m.
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21.8.09
16.8.09
12.8.09
quanto tempo para o silêncio
que se faz acompanhar do sobressalto
o enclave que se oculta no tórax um ser voraz
que me arranca à quietude artificial da canícula
enquanto da sala espreito o Jardim
ando devagar sobre a alcatifa
organizo pautas no meu crânio
em surdina falo sozinha
parade sauvage pour arthur rimbaud
das sombras olham-me os poetas sentados no canto da mesa
digo sílaba a sílaba
hector zazou
sahara blue
deleito-me com esta interlocução repito-a
embalo-me no som dos tambores entre tímpanos entre versos
quedo-me face aos senhores Edwards
abro o porta-folhas de grande dimensão
sento-me na roda do piano exponho os meus dotes
faço o périplo da cegueira
o zapping dos programas ideológicos da estação
arrumo a mala a correspondência os punhais do desentendimento
e penso que dor obliterara o passado até este deixar de existir
até o presente contornar a dor e esta se transformar em passado
e tu deteres num único momento o poder álacre de mudar a minha vida?
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1:15 p.m.
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11.8.09
6.8.09
continuo a andar
o verão apresenta-se numa disfuncionalidade embaraçosa
eu também
atravesso passeios entro no táxi digo para o largo D. Dinis por favor
ajusto o auscultador nos dias em que me atribuo uma banda sonora
dedico os meus olhos à projecção interior dos espaços que percorro
de comboio de táxi a pé posso dessa forma recriá-los quando escrevo
estranha forma esta de recuperar uma e outra memória
espaços vazios lugares que se apagam outros que reaparecem nítidos
a rua dos Caldeireiros
a rua das Flores
a rua da Bainharia
a rua do Almada
a esquadra onde separo identidades dispersas por objectos perdidos
em busca da minha guardara-a numa carteira
estranha forma de me perder para uma nova vida
saio para a praça observo as fachadas
precisarei de um ano para ser capaz de as desenhar
o que faria pelo jardim de S. Lázaro
passeio pelo largo das Fontainhas
faço de conta que sou um qualquer pássaro uma folha de papel
voo sobre as encostas do rio devo imaginá-las antes do burgo
antes da ponte D. Luís
um exercício escolar
aterro no varão dessa outra desenhada pelo Gustavo Eiffel
agarro-me com força não olho para o rio
avista-se por entre as tábuas do passadiço
se me cai o caderno lá se vão a arquitectura os desenhos os poemas
os números de telefone se caio
não serei como uma folha de papel não terei asas
apenas o peso das gárgulas
volto as costas ao comboio-foguete
estremece a estrutura de ferro a que me ancoro
regresso ao exercício
perceber o corpo das encostas afastar construções
muros de granito empenas de chapa
a folhagem outonal que cobre as ilhas
vergas de porta caiem com estrondo no rio
rapidamente aponto as curvas e as sombras
antes que volte tudo ao seu lugar
caminho de regresso à margem acompanha-me um inter-regional
uma brisa de enxofre
rapazes de farda acenam lançam beatas pelas janelas
dirigem-se à gare de S. Bento eu já não sei por onde de ali saí
creio que foi pela curva de um anfiteatro a céu aberto
a Grécia no Porto desenhos a giz
linhas de uma viagem maior narrada pelo Arquitecto
mapas do Sítio
o genius loci que daí em diante se procurará por todos os lugares de uma vida
a livraria na rua de Ceuta
o recoveiro na Trindade
o cinema da Batalha
o café Guarani
a avenida da ponte
a Galilé
o largo dos Grilos
a rua de Sant’Ana
as fachadas de caixilhos à face assentes sobre taipas coloridas
elevadas da humidade das calçadas por muros de granito
entre prostitutas e chulos bandos de crianças descalças jogam à bola
há roupa pendurada nas janelas
velhas sentadas nos degraus das portas
mulheres com bebés de colo
pescadores na Ribeira observam-me de caderno na mão
esforço-me por desenhar
cobiçam-me os lápis caran d’ache
a caixa lembra as vinhetas dos chocolates suíços
prossigo sozinha.
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1:45 p.m.
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4.8.09
2.8.09
1.8.09
30.7.09

© álvaro rosendo
mais tarde o corpo cansa-se e procura o encaixe
que devolva o soco e consolide estilhaços assim como um airbag de silicone
pacotes de férias nas termas ou nos trópicos mais distantes
na companhia de opiáceos e de analgésicos boiando nas águas do recife
em empreendimentos energeticamente certificados
onde se degustam iguarias ecologicamente confeccionadas
copos de uísque velho sem gelo e os politicamente correctos charutos de Havana
promessas de sexo musculado bordões de misogenia nos outdoors
frente ao vidro faço o risco que assinala a pálpebra e se alonga até às têmporas
de um lado ao outro delimita o curso do escalpelo cravo-o fundo na memória
allumeuse ou puritana porque não me lembrarei eu
de outras definições em mim apostas
contraditórias cegas clarividentes armas de arremesso
shadows have the saddest things to say canta a Mitchell
esta é uma daquelas noites em que me atiro contra mim própria
uma vez após outra e ainda outra sem que se rompa a pele ou quebrem os ossos
sem que vença a aridez de uma esfera que se rarefaz a cada embate
poderia antes gritar se fôlego houvesse
na casa das magnólias onde há um arquivo de repartição
cujos compartimentos de madeira albergam
discos de vinil uns dois milhares alfabeticamente organizados
a música que R. juntou e que se escuta no cansaço da madrugada
digo para mim própria
poderíamos dançar
antes de adormecer no quarto do sótão
e acordar rindo de todos os clichés
abandonando o pudor do déjà-vu
posando para o fotógrafo que se deitara no sofá
tem os olhos semicerrados
mede a luminosidade na penumbra
antes de disparar.
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12:38 a.m.
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27.7.09
20.7.09
não serei
dedicada submissa esquecerei
todas as instruções para a limpeza do lar falharei
as poupanças o mutualismo
a pedicura as unhas de gel o peeling a musculação
chegarei tarde
partirei cedo nos jantares casamentos baptizados
será junto de outrem que me sentarei
serei impulsiva ignara
percorrerei desassombros sem referência
não estarei disponível não tomarei a pílula
ansiarei por todos os preliminares amarei
os filhos de um amor não passível de clausulado
não disporei de património herança promessas eternas
em vão buscar-me-ei por entre sonhos e escombros
para que em vão saibas como reconhecer-me
como perder-me enquanto me pergunto
porque razão haverás tu de querer-me
não serei um bom partido
assim velha gorda distante mal-humorada ávida
tantos adjectivos para uma só pequena pessoa.
© álvaro rosendo
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13.7.09
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7:10 a.m.
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11.7.09
8.7.09


© pedro tudela, in [me...mo]
num quarto de hotel apoiada no esqueleto da vidraça
registo interiormente o movimento que fazes
o estado das coisas tomado de um balcão descarnado
o reflexo da lâmina sobre as axilas
um braço tombado ao longo da nuca
a banheira que transborda sob a massa do corpo
o tanque feito estendal de intimidades absurdas
o cabelo molhado short-back–and-side
o espelho sobre o ladrilho
as camas de solteiro
o banco das malas
o caixilho que se entreabre e depois outro e outro
o rumor que percorre os corredores.
dizes este é um poema a preto-e-branco
digo este é um poema com atraso
corro como alice atrás da vertigem
asfixio desaperto o vestido calço e descalço os sapatos
corrijo o batom eu sei
um fait-divers
e tu aí sim és tu quem interpelo
slow motion.
still life.
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9:37 p.m.
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7.7.09
14.6.09
QUARTO ESCURO
o novo blogue de fotografia do ilustrador Pedro Morais
de três em três dias, uma imagem nova!
© pedro morais
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1:07 p.m.
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13.6.09
dia 13 GALERIA SANTA CLARA 22 horas
PONTAPÉ DE SAÍDA #
ARTUR VARELA – pintura e banda desenhada
CARLOS JÚLIO – fotografia
DORA – escultura
FILIPE CRAVO – pintura
ILÍDIO SALTEIRO – pintura
JOÃO BAETA – fotografia
MANUEL SANTOS MAIA – vídeo
SAMUEL SILVA – escultura para interagir

Estás perante o produto de um roubo triplo, com violação da sagrada propriedade privada, actos de pirataria informática, plágio propagandístico. São 3 as proveniências de cada 1 dos 33 cromos da colecção “Rumo ao Novo Mundo seja lá onde ele for”, todas infames: # As fábricas encerradas na periferia de Coimbra, provas mortas da “renovação natural do tecido produtivo” / retratos vivos da natureza fatal do Capitalismo, foram visitadas sem convite; # # The Assistant, The Journey, The Pupils, seres suspensos no site de Michael Borremans, deslocalizaram-se sem pré-aviso para repovoar os espaços fabris esvaziados; # # # Dos jornais de cada dia, respigámos frases lapidares de uma certa identidade nacional, títulos dos governantes garrafais de hoje e dos opositores governantes de ontem, loureiros e coelhos, uma amálgama ardente no desejo e no proveito de que “não há alternativa ao Capitalismo”. - o – o – o – o – o – o – o – o – o - o – o – o – o – o – o – o – o – o - Ao invés, reclamamos o rumo ao Novo Mundo, seja lá onde ele for, descrentes desconfiados das previsões do optimismo tecnológico e do pessimismo ecológico. A previsão do futuro, o pontapé de saída ou a angústia do guarda-redes, foi sempre o alimento da adivinhação, da leitura de presságios, fantasias, ficções astrológicas e também da futurologia “científica” do agrado dos crédulos do progresso contínuo. A nós satisfaz-nos “a visão possibilista da história, onde o real não se compreende senão no limite das suas possibilidades”. . é não é impossível vivermos num Mundo diferente . . é Não é impossível vivermos num Mundo diferente .
. não é impossível vivermos num Mundo diferente .
Animado pelas baixas origens da colecção, poderás agora meditar no Mandamento que interdita os privados de propriedades de A tocar e podes ousar, tu hipócrita espectador, meu igual, meu irmão, /comprar/apropriar-te de/ um cromo, A3 300 mg impressão a laser, a 2,5 € de valor facial ou ainda menos,
se a tanto te ajudar o engenho e a arte.
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blue
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1:51 p.m.
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8.6.09
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