3.5.09

Junho trar-me-á a luz derivada das águas do Mediterrâneo
sombras de anil na areia e tardes de progressões harmónicas
mas por ora quedo-me na sequência de palavras que data o final de Abril
a floração do lóio do pícrido
a maturação do fruto da mandrágora
passeio-me por entre canteiros de mostarda persa e jardins de citrinos
entreligam-me caminhos de pó
entretenho-me perco-me distraio-me
que logo virá a semana antevejo-a com vagar
dias de abstrações administrativas de relatórios de crise
de distância formal entre baluartes
trocarei máscaras cirúrgicas por petardos e aguaceiros
cairei por esgotamento retroviral no bafo da composição
um aquário sobrelotado e sem arejo
onde lerei o jornal prestes a transverter-se no conteúdo do momento
indisponível para quem não estiver à distância de um click
o ponto G da comunicação e se tudo correr bem
passarei o fim de tarde no bar do teatro
onde a folhagem das árvores da praça toma os vidros
o plano do olhar no único lugar Moderno de tão decadente cidade.

5 comentários:

Vieira Calado disse...

Muito interessante, este seu poema!

Bjs

Leonardo Gandolfi disse...

Bom de verdade. Tem uma pegada & um ar fresco.

Filipa Júlio disse...

o bar do teatro. os vidros do bar do teatro. e a tão decadente cidade.

CNS disse...

O mundo na claridade da tua poesia.

candida disse...

E o k significa picrido?
Gostei do teu poema.

Arquivo do blogue

 
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.