2.5.07

surdos os fogos, as águas que se amontoam
em cada movimento violento do teu corpo,
golfada de sémen que sorves como um suspiro,
de olhar encoberto,
de olhar desnudado,
erguendo nas minhas mãos geladas
os gestos que me interditaste,
fantasmagóricos como a luz desse princípio de tarde,
vorazes como o fim da manhã:
como qualquer fim.

movimentos soberanos na beleza obscura da sua inexistência,
atordoam o meu rosto
perdido pelo fugaz calor do arfar dos teus braços turvos de pena,
quem sabe se de paixão.

( o meu corpo só sabe ser branco como essa manhã que finda
e como ela a minha pele se desvanece com o entardecer:
com o teu cheiro não adormece,
sob os teus olhos não aceita morrer)

como se já outro tempo não houvesse
e só da morte se tratasse.

3 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

majestoso. este fogo.



Bom dia B.


beijo.

laura disse...

lindo...

hfm disse...

bela simbiose texto e imagem; realço os dois últimos versos.

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