5.2.07

conheço agora alguns dos percursos com que poderia
arrombar esse olhar onde não se avista um céu
ou uma estrela
mas apenas o fim de mundo onde os corpos de que não queres possuir imagens
se misturam por entre as pedras, essas sim imortais,
e constroem arquitecturas devastadas através de gestos sem lugar,
sem tempo,
proscritos pelo teu olhar.

os medos indecifráveis que te corroem
de longe vieram e deles nada sei
para além do abandono que o teu corpo já não sabe como suportar.


essa dor maior é o crime que melhor cometes
e por ele desejaria descer sobre a tua vida.
não como anjo pacificador, imagem que me agonia,
mas como cratera onde te afogasses
para que, num fim de tarde, sob a calmia da noite crescente,
o teu corpo pudesse enfim boiar na beleza com que me soubeste contaminar.

1 comentário:

blue disse...

escrito em 1992.

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