18.1.07





a luz, hoje de manhã.

2 comentários:

blue disse...

laura:
estes azuis são para ti.
para que fiques muitas vezes sem palavras e possas, então, escrever.

laura disse...

O céu engolia-me quando era miúda em certas tardes. Por ser azul. Havia um Postigo na minha casa das Antas, de uma casa de banho de serviço, minúscula, um Postigo feioso, sem nada de especial, mas com tudo de especial porque me dava céus. Já o referi neste blog uma data de vezes. O céu através Dele era mágico. Lembro-me de ser bem pequena, meter-me na casa de banho, fechar a porta sem chave, fechar a sanita, saltar para cima dela e ver o bocadinho de céu recortado por Ele. E era em entardeceres de verão quando fazia um certo calor, mas era mesmo um certo, não podia ser nem mais nem menos… era quando eu recebia um teste negativo na escola e não sabia como havia de dizer à minha mãe. Era quando sonhava com o meu príncipe encantado. Era quando me sentia cheia de coisas para deitar cá para fora e ainda não sabia escrever. Era quando me sentia demasiado feliz e tinha medo de tanta felicidade.
Estas fotografias trouxeram-me hoje, não um postigo recortado e visto por uma miúda em cima de uma sanita, mas uma sensação igualmente de miúda.
Mas decerto vais entender-me porque eu hoje de tarde vi uma fotografia fantástica, de raparigas e apeteceu-me estupidamente brincar. E vais perceber porque é que estou a escrever isto…
Obrigada pelos teus azuis de hoje. E pelos de muitos outros dias, que podem não se ver, mas estão lá.

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