20.11.06


(novembro 2006)

6 comentários:

António disse...

FASTIO LÍRICO

Flores.
Lilases roxos que perfumam tudo.
Mas não é de lilases que eu preciso,
Nem de perfume.
O que a alma me pede,
Nem se cheira,
Nem se vê,
Nem se dá nos canteiros...

Não.
Se me querem valer,
Tragam-me a primavera
Como era
Antes de o jardineiro a corromper.

Miguel Torga
19 de Abril de 1950

blue disse...

belo, antónio, obrigada...
Torga é um autor que descobri tardiamente, daqueles a que não achava graça nenhuma quando estudado nos bancos do liceu.
um dia, há uns anos atrás, peguei na Criação do Mundo e sucumbi - literalmente - ao poder das suas palavras. um livro que se encontra entre os que repito, sempre que posso.
e, por curiosidade, Torga jogou às cartas muitas vezes na mesa de jantar lá de casa, noutros tempos, ainda não era eu nascida.
obrigada, foi um bom intervalo.

Anónimo disse...

E o Diário? A esse volto vezes sem conta, para a prosa, claro.

"S. Martinho de Anta, 25 de Abril de 1954

Fui mostrando: - A escola... A casa das Pintas... O negrilho...
De repente perdi-me no tempo, apontei para uns garotos que brincavam no largo, e sai-me esta da boca:
- E os meus antigos companheiros...
O hóspede oscilou. Mas não me descompus:
- Eu cresci e eles ficaram assim."

in Diário VII

blue disse...

delicioso.

marisa disse...

gosto muito da fotografia. e gosto do torga também.

laura disse...

apoiadíssimo. e que bom que é quando voltamos a descobrir autores, não é?

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